Vereadores de Bauru recebem novo secretário de Saúde com lista de demandas
Falta de leitos, vazamentos de esgoto e o destino do empréstimo de R$ 111 milhões também marcaram os discursos da sessão
A nomeação do médico Dr. Raul para a Secretaria Municipal de Saúde foi o assunto que atravessou quase todos os discursos da 40ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Bauru. As boas-vindas vieram acompanhadas de uma lista extensa de cobranças e de pedidos de reunião entre o Executivo e o Legislativo para alinhar prioridades na área.
Parte da surpresa manifestada no plenário tem explicação política. O novo secretário disputou a Prefeitura em 2024 contra a atual prefeita, Suéllen Rosim, e agora assume uma pasta dentro da gestão que enfrentou nas urnas. Alguns parlamentares questionaram qual plano de governo vai prevalecer na condução da saúde municipal e anunciaram que manterão a fiscalização sobre a área, independentemente de proximidade pessoal com o gestor.
A falta de leitos abriu a relação de problemas apresentados. Segundo números citados da tribuna, 39 pessoas morreram nos últimos dois meses à espera de uma vaga de internação na cidade, sendo 16 delas em fila por leito de UTI. Também foi relatado o caso de uma paciente com fratura em um dedo do pé que teria aguardado cerca de seis dias pela transferência de uma UPA para o Hospital Estadual, com piora do quadro durante a espera.
Da tribuna partiram ainda demandas pontuais. Entraram na lista a ampliação da UPA do Mary Dota, a construção de um hospital municipal, a extensão do horário das farmácias municipais e melhorias no atendimento de baixa e média complexidade. Problemas estruturais em unidades de bairro também foram apresentados, com destaque para o posto de saúde de Tibiriçá, onde o consultório odontológico é interditado em dias de chuva, a clínica ginecológica não tem banheiro nem privacidade adequada e ventiladores seguem sem instalação porque a fiação não suporta a carga.
Duas frentes mais delicadas foram anunciadas na mesma sessão. Um vereador declarou que vai protocolar pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito para investigar o atraso nas obras de reforma e ampliação da UPA Mary Dota e do Pronto Socorro Central, serviços que deveriam ter sido entregues em 2025. Outro alertou que a licitação do plano de saúde dos servidores municipais, processo que chega a R$ 250 milhões, exige decisão firme do Executivo, diante do histórico de reclamações sobre a empresa que atende atualmente.
Os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Gaeco, voltaram a ocupar o plenário. A investigação aponta que cerca de R$ 4 milhões teriam sido usados em pagamentos ilícitos e propinas no processo de concessão do lixo em Bauru. Da tribuna, foi feita a comparação entre esse montante e o custo de 1.071 diárias de leito de UTI pela tabela do SUS, em um argumento de que a corrupção produz efeito direto sobre a vida das pessoas.
Dois parlamentares usaram o tempo de fala para responder publicamente a um e-mail enviado pela TV Tem aos gabinetes, com questionamentos sobre recebimento de propina na aprovação da concessão. Ambos negaram ter recebido qualquer valor e se colocaram à disposição das autoridades. Houve também pedido para que a apuração siga seu curso sem condenação pública antecipada de quem ainda não teve direito de defesa, e a informação de que a Casa não recebeu até agora comunicação oficial do Ministério Público sobre envolvimento de algum vereador específico.
Os serviços prestados pela CSB formaram outro bloco de queixas. Foram exibidos novos casos de vazamento de esgoto, entre eles o de uma família do Jardim Nicéia que convive há uma semana com esgoto voltando para dentro do banheiro, além de um vazamento na entrada da UPA do Ipiranga e outro em um estabelecimento comercial na Vila Cardia. A ausência de manifestação oficial da empresa foi criticada no plenário.
Também partiu da tribuna o convite para uma audiência pública da Comissão de Obras destinada a tratar do cronograma de execução dos serviços da concessionária, com atenção especial à implantação da rede de esgoto. A expectativa é que, desta vez, os convocados apresentem datas e ações concretas, já que em encontro realizado em agosto nem a CSB nem o DAE dispunham dessas informações.
O destino do empréstimo de R$ 111 milhões contraído junto ao Desenvolve SP foi a última frente de cobrança. O recurso, aprovado pela Câmara em dezembro de 2025, deve financiar asfaltamento e recapeamento, com prioridade para as áreas mais vulneráveis. Vários parlamentares reclamaram da falta de transparência sobre quais bairros serão atendidos e da ausência de diálogo com o Legislativo e com as comunidades na definição das prioridades. Um deles anunciou que solicitará oficialmente a lista das localidades contempladas.
Fonte: Informações da Câmara Municipal de Bauru